Depois de anos de experiência, acumulamos as seguintes regras. Elas devem ser úteis para pesquisadores iniciantes. Contudo, também observamos veteranos cometendo alguns erros ingênuos. Para estudantes avançados, essas regras também podem ser aplicadas a disciplinas regulares.
(1) Sempre se incline pra frente, nunca pra trás. Se você se inclina pra trás, sua boca abre e você ronca.
(2) Nunca sente de costas para uma parede. Sua cabeça vai bater nela, acordando o resto da audiência. (O aviso é o mesmo com relação à mesas.)
(3) Nunca sente em um sofá. As pessoas não querem você dormindo no ombro delas. Normalmente, sofás são colocados próximos às paredes (Ver (2)). Uma exceção importante é quando você está sozinho no sofá, nesse caso é melhor do que a cadeira. Você pode evitar (2) inclinando-se para o lado.
(4) Não leve papel e caneta. Eles fazem muito barulho quando caem no chão. Você deve imaginar que pode trabalhar durante o seminário, mas no final você acaba acordando com equações pela metade e com longas linhas horizontais no final. Borrachas tudo bem.
(5) Se possivel, escolha uma cadeira com estofado. Cadeiras de plástico e metal são barulhentas.
(6) Não precisa usar óculos escuros, ou fazer perguntas depois de acordar. Quem você pensa que está enganando?
(7) Se você acorda com risadas e todo mundo está te olhando, provavelmente o orador acabou de mencionar seu trabalho, então considere como um elogio.
(8) Pratique acordar ao som do silêncio. Assim, você pode acordar logo após o orador terminar, e evitar ser acordado pelo som irritante de aplausos. Para os caras de sono profundo, isso também evita que você acorde num auditório vazio. Não pense que é esperteza usar alarmes: Depois dos primeiros 30 segundos do alarme todo mundo fica sabendo de qualquer maneira.
(9) Não durma demais na noite anterior. Você vai dormir no seminário de qualquer maneira, e então quando acordar você vai se sentir molenga por ter dormido além da conta. Pelo mesmo motivo, não participe de muitos seminários durante a semana.
(10) Se você viajar para um congresso fora, cuidado para não participar do mesmo seminário duas vezes. Você vai dormir nas mesmas partes de qualquer jeito.
(11) Físicos mais velhos tendem a dormir exatamente na mesma hora em todo seminário. Tente agendar seu cochilo pra não coincidir com o deles. O orador precisa ter pelo menos um ouvinte acordado o tempo todo, especialmente quando ele terminar. Nada é mais constrangedor do que acordar numa sala cheia sem o orador.
(12) Não leia esse artigo durante um seminário. Ele vai mantê-lo acordado, mas os caras perto de você vão querer emprestado e você nunca mais vai vê-lo.
Depois que você obtiver experiência o bastante nessa arte e se tornar um expert, você deve querer aplicar seu conhecimento em áreas mais gerais, por exemplo, pais físicos podem querer usar seminários para substituir histórias pra dormir.
Apêndice I do artigo "How I Spent My Summer Vacation", Strings '89, eds. R. Arnowitt, R. Bryan, M.J. Duff, D. Nanopoulos, and C.N. Pope,
College Station, TX, March 13-18, 1989 (World Scientific, Singapore, 1990) 535-549
segunda-feira, 3 de junho de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
A sutil diferença entre Fato e Relato
Olá, amigos.
Gostaria, dessa vez, de prestar um serviço público. O assunto que escolhi tratar hoje envolve um pouco de misticismo, muita desinformação, e uma boa dose de corações sendo partidos.
O mundo é um lugar muito simples, senhoras e senhores. Somos governados pelas leis da natureza, e a função da Física é, entre outras coisas, compreender e identificar tais leis. Mas é claro que isso não é uma tarefa fácil, vocês hão de concordar.
Por causa disso, nós utilizamos como fonte de conhecimento o que chamamos de fato: alguma coisa que aconteceu. Não é difícil entender os fatos, pois normalmente, eles são falseáveis (pode-se provar se são falsos ou não), e principalmente, reproduzíveis. É um fato que, se eu largar uma pedra de certa altura, ela vai cair para baixo, acelerando-se a aproximadamente 10 m/s². Se você quizer ter certeza, pode fazer a experiência (pelo menos na Terra), e vai presenciar o mesmo fato.
Agora vamos falar sobre o primo pobre do fato, o relato. Relatos são, como você deve imaginar, descrever um acontecimento no passado. O problema com os relatos é que eles normalmente não são falseáveis. Normalmente narram acontecimentos que não podem ser repetidos ou testados, e por conseguinte, não devem ser usados para produção de conhecimento científico.
É muito simples, na verdade. Se eu digo "havia um elefante no meu quarto ontem" isso é um relato, - você é livre para relatar qualquer coisa - mas se você resolve tentar buscar a explicação para esse relato, ou pior ainda, considerá-lo válido em sua infalseabilidade e produzir teorias acerca dele, pode se preparar para resultados não muito satisfatórios.
Eu digo isso porque ovnis, a Atlântida e Eram os Deuses Astronautas? são grandes exemplos de teorias baseadas em relatos, e muitas vezes, os fatos que elas tentam explicar são muito mais simples.
Então por favor, meus amigos e amigas, lembrem-se: fatos, ou não aconteceu.
Assim, da próxima vez que ouvir por aí que alguém tinha um elefante no quarto até ontem, meça o tamanho da porta.
Até a próxima!
Gostaria, dessa vez, de prestar um serviço público. O assunto que escolhi tratar hoje envolve um pouco de misticismo, muita desinformação, e uma boa dose de corações sendo partidos.
O mundo é um lugar muito simples, senhoras e senhores. Somos governados pelas leis da natureza, e a função da Física é, entre outras coisas, compreender e identificar tais leis. Mas é claro que isso não é uma tarefa fácil, vocês hão de concordar.
Por causa disso, nós utilizamos como fonte de conhecimento o que chamamos de fato: alguma coisa que aconteceu. Não é difícil entender os fatos, pois normalmente, eles são falseáveis (pode-se provar se são falsos ou não), e principalmente, reproduzíveis. É um fato que, se eu largar uma pedra de certa altura, ela vai cair para baixo, acelerando-se a aproximadamente 10 m/s². Se você quizer ter certeza, pode fazer a experiência (pelo menos na Terra), e vai presenciar o mesmo fato.
Agora vamos falar sobre o primo pobre do fato, o relato. Relatos são, como você deve imaginar, descrever um acontecimento no passado. O problema com os relatos é que eles normalmente não são falseáveis. Normalmente narram acontecimentos que não podem ser repetidos ou testados, e por conseguinte, não devem ser usados para produção de conhecimento científico.
É muito simples, na verdade. Se eu digo "havia um elefante no meu quarto ontem" isso é um relato, - você é livre para relatar qualquer coisa - mas se você resolve tentar buscar a explicação para esse relato, ou pior ainda, considerá-lo válido em sua infalseabilidade e produzir teorias acerca dele, pode se preparar para resultados não muito satisfatórios.
Eu digo isso porque ovnis, a Atlântida e Eram os Deuses Astronautas? são grandes exemplos de teorias baseadas em relatos, e muitas vezes, os fatos que elas tentam explicar são muito mais simples.
Então por favor, meus amigos e amigas, lembrem-se: fatos, ou não aconteceu.
Assim, da próxima vez que ouvir por aí que alguém tinha um elefante no quarto até ontem, meça o tamanho da porta.
Até a próxima!
sexta-feira, 5 de abril de 2013
"Houston, we have a problem..."
Você já se perguntou porquê os EUA lançam seus foguetes no Cabo Canaveral, na Flórida? E no Brasil? Por que a base de lançamento de foguetes de Alcântara, próxima a São Luís, no Maranhão? O que esses locais possuem em comum? Muitos simples, senhoras e senhores: esses locais, em seus respectivos países, estão mais próximos da linha do Equador. Hoje vou falar sobre como a proximidade do Equador é tão importante no lançamento de foguetes.
A primeira coisa que precisamos saber é que a Terra é redonda, a segunda, que ela gira. Se você tinha alguma dúvida quanto a isso, esqueça. Isso é verdade. Vou considerar ainda, por simplicidade, a Terra como sendo perfeitamente esférica. Agora, se você se lembra da postagem Descendo pelo Ralo, deve lembrar que isso faz com que, no Equador, a velocidade na superfície da Terra é maior que próximo dos polos, e ainda melhor, que os polos não giram.
Vamos analisar os extremos, então. No Equador, as coisas giram rápido, e nos pólos não giram. E onde as coisas, giram, existe uma aceleração centrípeta, apontada para o centro do movimento circular. Isso implica que, no Equador, existe uma força, apontada para o centro, e nos pólos não. Lembre-se disso: nos polos, como não há movimento circular, não é necessária uma força apontando para o centro.
Mas existe gravidade, essa força maravilhosa que sempre aponta para o centro da Terra, em toda a superfície, e permite que você passeie tranquilamente com o seu cachorro. A diferença entre a gravidade (que é o que determina o peso dos objetos) no Equador e nos pólos é que, no Equador, parte dessa força é utilizada para manter o movimento circular, o que faz com que os objetos "pesem" menos. Nos polos, isso não é necessário.
Só para vocês terem uma ideia, a aceleração centrípeta, no Equador, é 0,03 m/s². Comparando com a aceleração gravitacional, aproximadamente 10 m/s², não parece um efeito tão devastador; você pesa 0.3% a menos no Equador do que nos polos.
Para nós, pequenas criaturas, isso não é muito, mas quando o objetivo é lançar um foguete de algumas toneladas, isso é algo a ser levado em consideração. Por isso, os países procuram lançar seus foguetes de um ponto o mais próximo possível do Equador.
Assim, da próxima vez que você for a São Luís, pode comer a vontade que você vai engordar menos.
Até a próxima!
A primeira coisa que precisamos saber é que a Terra é redonda, a segunda, que ela gira. Se você tinha alguma dúvida quanto a isso, esqueça. Isso é verdade. Vou considerar ainda, por simplicidade, a Terra como sendo perfeitamente esférica. Agora, se você se lembra da postagem Descendo pelo Ralo, deve lembrar que isso faz com que, no Equador, a velocidade na superfície da Terra é maior que próximo dos polos, e ainda melhor, que os polos não giram.
Vamos analisar os extremos, então. No Equador, as coisas giram rápido, e nos pólos não giram. E onde as coisas, giram, existe uma aceleração centrípeta, apontada para o centro do movimento circular. Isso implica que, no Equador, existe uma força, apontada para o centro, e nos pólos não. Lembre-se disso: nos polos, como não há movimento circular, não é necessária uma força apontando para o centro.
Mas existe gravidade, essa força maravilhosa que sempre aponta para o centro da Terra, em toda a superfície, e permite que você passeie tranquilamente com o seu cachorro. A diferença entre a gravidade (que é o que determina o peso dos objetos) no Equador e nos pólos é que, no Equador, parte dessa força é utilizada para manter o movimento circular, o que faz com que os objetos "pesem" menos. Nos polos, isso não é necessário.
Só para vocês terem uma ideia, a aceleração centrípeta, no Equador, é 0,03 m/s². Comparando com a aceleração gravitacional, aproximadamente 10 m/s², não parece um efeito tão devastador; você pesa 0.3% a menos no Equador do que nos polos.
Para nós, pequenas criaturas, isso não é muito, mas quando o objetivo é lançar um foguete de algumas toneladas, isso é algo a ser levado em consideração. Por isso, os países procuram lançar seus foguetes de um ponto o mais próximo possível do Equador.
Assim, da próxima vez que você for a São Luís, pode comer a vontade que você vai engordar menos.
Até a próxima!
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