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sexta-feira, 5 de abril de 2013

"Houston, we have a problem..."

Você já se perguntou porquê os EUA lançam seus foguetes no Cabo Canaveral, na Flórida? E no Brasil? Por que a base de lançamento de foguetes de Alcântara, próxima a São Luís, no Maranhão? O que esses locais possuem em comum? Muitos simples, senhoras e senhores: esses locais, em seus respectivos países, estão mais próximos da linha do Equador. Hoje vou falar sobre como a proximidade do Equador é tão importante no lançamento de foguetes.
A primeira coisa que precisamos saber é que a Terra é redonda, a segunda, que ela gira. Se você tinha alguma dúvida quanto a isso, esqueça. Isso é verdade. Vou considerar ainda, por simplicidade, a Terra como sendo perfeitamente esférica. Agora, se você se lembra da postagem Descendo pelo Ralo, deve lembrar que isso faz com que, no Equador, a velocidade na superfície da Terra é maior que próximo dos polos, e ainda melhor, que os polos não giram.
Vamos analisar os extremos, então. No Equador, as coisas giram rápido, e nos pólos não giram. E onde as coisas, giram, existe uma aceleração centrípeta, apontada para o centro do movimento circular. Isso implica que, no Equador, existe uma força, apontada para o centro, e nos pólos não. Lembre-se disso: nos polos, como não há movimento circular, não é necessária uma força apontando para o centro.
Mas existe gravidade, essa força maravilhosa que sempre aponta para o centro da Terra, em toda a superfície, e permite que você passeie tranquilamente com o seu cachorro. A diferença entre a gravidade (que é o que determina o peso dos objetos) no Equador e nos pólos é que, no Equador, parte dessa força é utilizada para manter o movimento circular, o que faz com que os objetos "pesem" menos. Nos polos, isso não é necessário.
Só para vocês terem uma ideia, a aceleração centrípeta, no Equador, é 0,03 m/s². Comparando com a aceleração gravitacional, aproximadamente 10 m/s², não parece um efeito tão devastador; você pesa 0.3% a menos no Equador do que nos polos.
Para nós, pequenas criaturas, isso não é muito, mas quando o objetivo é lançar um foguete de algumas toneladas, isso é algo a ser levado em consideração. Por isso, os países procuram lançar seus foguetes de um ponto o mais próximo possível do Equador.
Assim, da próxima vez que você for a São Luís, pode comer a vontade que você vai engordar menos.
Até a próxima!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A Arte que imita a Vida

Se você é cego e está lendo isso, parabéns, você está curado. Se não, você já deve ter assistido televisão. Muitos não acreditam, mas na verdade as coisas não se movem nas imagens televisivas. A televisão, na verdade, exibe uma sequência de imagens que aos nossos olhos cria a ilusão de movimento. Como padrão, são usadas 24 imagens por segundo, e nosso olho nem percebe a diferença.
Hoje eu vou falar exatamente dos recursos (e dos fatores) que auxiliam os aparelhos de televisão à transmitir imagens e movimento aos nossos olhos.
O olho humano consegue perceber até cerca de 11 imagens individuais por segundo, e tratá-las como imagens separadas. A persistência de uma imagem, no nosso cérebro, está entre 0,1 e 0,4 segundos. Isso faz com que imagens recebidas nessa duração sejam consideradas, pelo córtex visual no cérebro, como um único estímulo. Isso tem efeitos interessantes, como por exemplo um flash verde logo seguido de um flash vermelho é recebido como um único flash amarelo (:0). Isso resolve a questão de porque o amarelo não está entre as cores básicas do chamado padrão RGB (vermelho, verde e azul). A partir da mistura dessas cores básicas, os aparelhos de televisão conseguem reproduzir todas as outras, se utilizando dessa persistência do nosso córtex visual.
Na indústria cinematográfica, os filmes são exibidos em 24 fps (frames por segundo ou imagens por segundo), e os nossos olhos e cérebro os interpretam como uma imagem em movimento. Alguns filmes mais antigos rodavam a 14 fps, e se você assistir um desse, percebe que é um movimento "meio esquisito".
Alguns jogos, principalmente first person shooters (jogos de tiro em primeira pessoa), cuja sigla é coincidentemente FPS, que exigem alta capacidade de reação do usuário, rodam desde 70 até 125 fps, justamente pela necessidade de se reproduzir movimentos mais realistas. Mas esse valor pode variar dependendo da capacidade de processamento do computador e do limite de fps de cada monitor.
Assim, se algum dia você deixar o volume da televisão em um número ímpar, saiba que o número está sendo transmitido 24 vezes por segundo, e que é melhor você botar num número par.
Até a próxima.

Bonus Track
Esquema simplificado do padrão RGB (Só mostra 7 cores):
 

domingo, 30 de setembro de 2012

Festival do Minuto

Bem, amigos.
Estou preparando uma super-postagem sobre hidrelétricas, mas enquanto ela não vem, curtam a divulgação de um concurso muito interessante, que tem como tema a nossa amada Ciência. Aí vai:

Ciência é novo tema de concurso do Festival do Minuto
 Participantes concorrem a seis laptops como prêmios
 O concurso tem apoio da FAPESP e as inscrições vão até o dia 27 de outubro

Ciência. É só pensar no termo que já vem à cabeça um laboratório, um rato para experiências e um cientista maluco de avental branco? Pois ciência é muito mais do que essa visão estereotipada, já que nos deparamos com ela nas mínimas coisas do dia a dia – da lâmpada elétrica ao telefone celular, do banho quente aos tratamentos de saúde, da conservação ambiental ao uso da internet. Por isso, o termo pode trazer inúmeras ideias para criar belos vídeos de um minuto. É no que aposta o novo concurso do Festival do Minuto. 
Mas, afinal, o que é ciência? Mesmo que sua definição seja bastante abrangente, podemos dizer que ciência é o resultado do esforço humano para aumentar o que se sabe sobre determinado assunto com base em um método científico, ou seja, na observação, no questionamento e no raciocínio lógico. É desse conhecimento que resultam boa parte das descobertas e das invenções. Em resumo, ciência também é resultado da nossa criatividade.
Por isso, para participar do festival, nada melhor do que deixar a imaginação fluir sobre qualquer ciência, seja ela exata, humana ou sobre a vida. Ciência da computação, engenharia, física, matemática, química, zootecnia, botânica, biologia, antropologia... E, como sempre, valem vídeos de 60 segundos em qualquer formato: filmes de animação, vídeos feitos com câmeras digitais, celular, ipad etc. O que vale, mais uma vez, é a criatividade. O concurso segue aberto a pessoas de todas as idades, com inscrições até o dia 27 de outubro.

FAPESP: 50 anos de apoio à pesquisa
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) é uma das mais importantes agências brasileiras de apoio à pesquisa científica. Criada em 1962, a FAPESP, ao longo dos seus 50 anos, concedeu cerca de 105 mil bolsas de pesquisa – da graduação ao pós-doutorado – e apoio a mais de 92 mil auxílios para pesquisadores do Estado de São Paulo. O apoio é dado a pesquisas em todas as áreas das ciências, bem como tecnologia, engenharia, artes e humanidades. A FAPESP também apoia pesquisas em áreas consideradas estratégicas para o País, por meio de programas em grandes temas, como biodiversidade, mudanças climáticas e bioenergia.
Para saber mais, acesse www.fapesp.br.

Sobre o Festival do Minuto
O Festival do Minuto foi criado no Brasil, em 1991, e propõe a produção de vídeos com até um minuto de duração. É, hoje, o maior festival de vídeos da América Latina e também o mais democrático, já que aceita contribuições de amadores e profissionais, indistintamente. A partir do evento brasileiro, o Festival do Minuto se espalhou para mais de 50 países, cada um com dinâmica e formato próprios. O acervo do Minuto inclui vídeos de inúmeros realizadores que hoje são conhecidos pela produção de longas-metragens, como os diretores Fernando Meirelles (Cidade de DeusO Jardineiro Fiel), Beto Brant (O Invasor, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios) e Tata Amaral (Um Céu de EstrelasAntônia).
Para saber mais, acesse www.festivaldominuto.com.br.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Mais sobre Café

Há algum tempo atrás publiquei uma postagem sobre evaporação da água, o que, no final das contas, levou a falar sobre fazer café.
Hoje vou explicar um fenômeno interessantíssimo, ligado a uma simples pergunta: Por que o café esfria quando a gente sopra?
 Pra muita gente, ele esfria porque você sopra ar frio nele, e, devido à tendência de tudo entrar em equilíbrio térmico, o café esfria. Mas não se engane... mesmo sem que você assopre, o café já está em contato com o ar (muito mais frio do que ele), e essa explicação esbarra no conceito de calor específico: de fato, o café (composto em grande parte por água) não perde calor tão facilmente.
As forças em ação, nesse caso, são outras. O café esfria devido a um fenômeno de nome muito simpático: Resfriamento por evaporação forçada. Aposto que você nunca imaginou que algo com esse nome pudesse explicar porquê o café esfria quando você assopra. Pois bem, vamos entender o que é isso, afinal.
O café é feito com água, ou seja, acredite ou não, é feito de água. Para que a água evapore, ela precisa esquentar - precisa que seja fornecida energia para ela. Quando a gente assopra a superfície do café, induzimos a água a evaporar, e ela demanda energia pra fazer isso. Onde ela encontra essa energia? No resto do café embaixo dela! Então, o café cede a energia para essa evaporação, e consequentemente, se resfria.
Agora, você deve estar se perguntando: "Por que esse cara colocou a foto de um filtro de barro na postagem? Não tem nada a ver com café..." O filtro de barro resfria a água dentro dele através do resfriamento por evaporação forçada. A diferença é que a evaporação é induzida pela superfícia porosa do mesmo. Já se perguntou por que as telhas coloniais são feitas do mesmo material? Eureka!
Até a próxima.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sobre coisas que dão errado

Ao lado da Lei da Gravitação Universal, a Lei de Murphy é talvez umas das leis mais conhecidas entre leigos no mundo todo. Embora a primeira seja de demonstração muito mais científica, a segunda é muito mais enunciada e posta em prática no dia-a-dia. Sejamos honestos, ninguém se lembra do pobre Newton quando vê água caindo na torneira.
Hoje vou contar a história por trás da Lei de Murphy.
Entre 1948 e 1949, um sujeito muito bacana, chamado Dr. John Stapp trabalhava na Base Edwards da Força Aérea dos Estados Unidos. Seu projeto envolvia testar a resistência do corpo humano a uma rápida aceleração, tal qual um piloto é submetido, por exemplo, na decolagem de um caça a partir de um porta-aviões. Os testes eram feitos utilizando um grande trilho, com uma espécie de cockpit preso a ele. Por razões de segurança, era usado no experimento um boneco, parecido com aqueles usados nos testes de airbags, mas após certo tempo foi o próprio Stapp quem ficou de cobaia. 
Durante estes testes, foi levantada uma questão quanto à precisão dos instrumentos que faziam a leitura dos efeitos da aceleração, e então um cara ainda mais bacana, chamado Edward Murphy, propôs que se utilizasse um medidor de tensão eletrônico, acoplado nas correias que prendiam o corpo do Dr. Stapp, para medir a força submetida a elas na desaceleração. O assistente de Murphy fez as conexões dos fios, e um teste foi feito usando um macaco.
Tudo ocorreu como planejado, exceto que os sensores não detectaram nenhuma aceleração (!). Ficou claro, nesse instante, que o assistente havia conectado os fios ao contrário. Murphy, irritado, fez a fatídica e histórica declaração: "If that guy has any way of making a mistake, he will.", ou traduzindo: "Se aquele cara tiver alguma forma de cometer um erro, ele cometerá.".
Após esse episódio, a frase ficou conhecida entre os membros da equipe do projeto, e no boca-a-boca foi reduzida para "Se pode dar errado, vai dar errado.", e nascia assim a Lei de Murphy, embora ainda não possuía esse nome.
O nome foi dado pelo próprio Stapp, em uma conferência, quando perguntado sobre o porquê de ninguém ter se ferido gravemente durante os testes. Sua resposta foi essa: "Porque sempre levamos a Lei de Murphy em consideração."
Então, a próxima vez em que você for pego por uma chuva torrencial a 200 metros de casa, sem um guarda-chuva, ou bater o dedo mindinho na beirada da cama em um dia frio, saiba que o que pode dar errado, dá errado. É a Lei de Murphy, é assim que funciona.

Link:
Se você se interessou pela verdadeira história da Lei de Murphy, segue o link para os quatro artigos originais escritos por Nick T. Spark nos Annals of Improbable Research, Why Everything You Know About Murphy's Law is Wrong:

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O Caso "Quem Somos Nós?"

Pra quem não sabe, "Quem Somos Nós?", título traduzido para o português do fatídico "What the bleep do we know?", é um filme que aborda temas de espiritualidade e divagações da consciência, e tristemente relacionando-os (ou tentando) à Mecânica Quântica.

Não sei até que ponto as pessoas que vêm até mim foram influenciadas por esse filme, dizendo que ele despertou nelas a curiosidade à respeito da Física Quântica, mas garanto-lhes: Quando você tem curiosidade à respeito de leões depois de assistir O Rei Leão (que aliás é muito bom), você deve ter noção de que aquilo que quer saber é muito diferente do filme que você assistiu. Isso acontece com "Quem Somos Nós?".
A Mecânica Quântica envolve não só conceitos complexos de probabilidade e de medição de grandezas físicas, como também exige conceitos matemáticos tão profundos que é impossível falar sobre ela omitindo este último, o que a torna vaga, sem sentido, e principalmente aberta à milhões de interpretações equivocadas. Por esse motivo, à menos que você tenha feito pelo menos uma disciplina introdutória à Física Quântica, seja em um curso de Graduação em Física ou Química, ou um safári na África, saiba que a visão demonstrada pelo filme "Quem Somos Nós?" é deturpada e errada, tentando unir Ciência e espiritualidade simplesmente jogando fora a primeira. Mas não sou só eu quem está dizendo:
"Este filme é ainda mais pretensioso do que enfadonho. E ele é estonteantemente enfadonho - a menos que, é claro, você tenha sido enganado por essa farsa New Age, e nesse caso pode até ser - como muitos inocentes crédulos disseram - "life-changing". Richard Dawkins, professor de Zoologia, Etologia e Evolucionismo em Oxford.
"Ouça meu conselho e não assista a esse filme. Eu repito, não assista a esse filme. Repito novamente, não assista a esse filme. Se você assistir, deixará o cinema desinformado, 8 libras mais pobre e tendo perdido duas horas da sua vida." Simon Singh, PhD em Fìsica de Partículas em Cambridge, em sua Revisão do filme para a Rádio 4 BBC.
O recado tá dado. Até mais, e obrigado pelos peixes.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Quando se leva um tiro

Esses dias eu vi uma review interessante sobre um dos filmes que mais desafia as leis da Física: "Triplo-X", e pensei em mostrar algo no qual os filmes, principalmente os mais antigos, sempre têm feito de forma errada: o que acontece quando uma pessoa leva um tiro?

Você pode observar que, na grande maioria das cenas, a pessoa é atirada para trás com violência, algo que nem sempre corresponde ao que aconteceria em uma situação real, e que é apenas utilizado como efeito cinematográfico. Vou demonstrar porque.
A primeira coisa que quero deixar claro é o conceito de simetria de translação. É algo bem simples, na verdade: significa que, se você observa um fenômeno físico, simétrico por translação, a 10 metros, é a mesma coisa de se olhar o mesmo fenômeno a 20 metros. Se você vê alguém levando um tiro a uma curta distância, ou a uma longa distância, o efeito será o mesmo. Tendo vencido esse obstáculo, passamos para o próximo.
A simetria de translação leva diretamente à uma lei de conservação do momento linear total, que alguns conhecem por  quantidade de movimento. Basicamente, a quantidade de movimento de um corpo é a sua massa multiplicada por sua velocidade. A lei de conservação diz que se somarmos a quantidade de movimento dos dois corpos (pessoa + bala), essa quantidade se conserva, mesmo depois que a bala atinge a pessoa. Agora, vamos observar o fenômeno em si:
Em um momento inicial, temos uma pessoa parada, e uma bala vindo em alta velocidade em sua direção. Aqui, vou considerar uma 9mm na norma americana, cuja massa é m = 8g e a velocidade média é v = 367m/s, e uma pessoa adulta de m = 70 kg = 70000 g. Vamos calcular, então, a quantidade de movimento inicial:

Sabemos, pela lei de conservação que descrevi acima, que mesmo depois que a bala atinge a pessoa, essa quantidade de movimento deve ser a mesma. Após a colisão da bala, o nosso sistema passa a ser um corpo, de massa igual à soma das massas da pessoa e da bala ( m = 70008 g), se movendo com uma velocidade v, que vamos determinar agora:
Após o tiro, a pessoa é arremessada para trás com uma velocidade de v = 0,042 m/s, ou v = 0,151 km/h. Bem menor do que aquela mostrada nos filmes.
Uma exceção à essa regra, que aliás nunca foi exibida por motivos óbvios, aconteceu nas gravações do filme O Corvo, onde em uma cena, Brandon Lee foi atingido por uma bala de verdade (0.0). Os negativos da gravação de sua morte nunca foram revelados.
Enfim, quando você vir um filme, de agora em diante, e alguém for atingido por uma 9mm, você pode conferir se ela voa pra trás feito um beija-flor, ou sai mais ou menos com a velocidade que encontramos acima. Ou como diria o Austin Powers: "Não pense muito nisso e divirta-se.". Até mais.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Só de curiosidade: A História do Velcro

Muita gente diz que o velcro, assim como o forno de microondas e o telefone celular, foram inventados por alienígenas, e seus projetos encontrados misteriosamente em computadores da NASA. Quanto ao forno de microondas eu não sei ao certo, mas eu sei que o telefone celular foi inventado por um aficionado por Star Trek que decidiu que aquele comunicador do Capitão Kirk era muito legal pra ficar na ficção. Mas hoje vou dar atenção ao meu primeiro exemplo.
O velcro, acreditem, foi descoberto por um cara bem humano. O nome dele é George de Mestral, suíço, e o que é mais importante: ele tinha um cachorro. Um belo dia (não tão ensolarado, uma vez que estamos na Suíça), o seu Jorge resolveu passear com seu cachorro. Quando chegaram em casa, ele notou que algumas sementes das árvores no caminho haviam grudado ao pelo do animal. Veja bem, sementes fazem isso afim de serem transportadas para outras áreas, assim como algumas viajam pelo vento. George de Mestral, sujeito curioso, notou que algumas sementes estavam, também, presas às suas calças - os suíços, assim como a maioria das pessoas que vivem em locais frios do planeta, dão bastante atenção às calças. Ele, então, resolve observar no microscópio como aquelas sementes estavam tão presas, e o que ele viu foi uma imagem mais ou menos assim:
Ele percebeu que a semente possuía pequenos ganchos, que se agarravam ao tecido, criando uma conexão difícil de se romper. Então ele pensou: "Eu posso construir um fecho que utilize esse mesmo princípio: um lado feito com ganchos, como os da semente, e o outro feito de veludo, como minhas calças." Ele deu à sua invenção o nome de Velcro: a mistura das palavras veludo e crochê, em suíço (embora em português também funcione). O cara que tinha criado o zíper estava em maus lençóis.
Mesmo tendo encontrado alguma resistência, George de Mestral, com a ajuda de um tecelão francês, conseguiu produzir algumas unidades. Após aperfeiçoado, o design foi patenteado na década de 50, e Mestral formou a "Velcro Industries", que hoje é uma empresa multimilionária.
Coisa de E.T.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A Convenção de Genebra


Hoje não vou falar tanto sobre Física. Levando em consideração que já fiz a postagem do mês, vou me dar a liberdade de falar apenas de um assunto que me fascina como pessoa: A Convenção de Genebra. Mas vamos começar a história desde o princípio. Pra quem não sabe, existe uma coisa fantástica chamada "crime de guerra", e se há crime, é porque existe lei. As leis que regem uma guerra foram criadas nas chamadas Convenções de Genebra, que aconteceram entre 1863 e 1946, na cidade suíça. Essas convenções tinham como objetivo geral determinar regras que valeriam para as nações e seus constituintes, quando esses estivessem em guerra, tudo mais ou menos para evitar que Guerra fosse confundida com assassinato (o que, aliás, não funcionou, como qualquer pessoa que tenha lido "The Biglow Papers" sabe). De acordo com a última convenção, as leis de uma guerra são mais ou menos essas:
1. Da Frente de Batalha e Prisioneiros:
 i) É proibido o uso de armas químicas;
 ii) Prisioneiros de guerra devem fornecer seu nome e patente corretamente, sob punição da perda do direito à tratamento com humanidade e da proteção contra violência;
 iii) Prisioneiros podem ser visitados por um representante de seu país e têm o direito de conversar reservadamente, sem a presença do inimigo;
 iiv) É proibido matar quem tenha se rendido;
 v) É proibido o uso de balas explosivas ou que causem sofrimento desnecessário;
 vi) É proibido o ataque hostil, com projéteis de qualquer calibre, a balões e paraquedistas;
 vii) É proibido o ataque a cidades desprotegidas;
 viii) Se um exercito ocupar um país estrangeiro, deve providenciar alimento aos habitantes locais.
2. Dos Mortos e Feridos:
 i) Cabe aos países em guerra a identificação dos mortos e o informe aos familiares;
 ii) Devem haver zonas demarcadas para tratamento de doentes e feridos nas áreas de batalha;
 iii) É permitido o livre transporte de medicamentos;
 iv) Os hospitais civis demarcados com o símbolo da Cruz Vermelha são protegidos contra ataques.
3. Dos cuidados especias à Marinha:
 i) Tripulantes de navios afundados devem ser resgatados pelo adversário, e levados em segurança para terra firme;
 ii) Submarinos não podem afundar navios comerciais ou de passageiros sem antes retirar seus passageiros e tripulação.
A violação desses Tratados pode levar a juízo nas cortes internacionais de justiça.
Ainda não sei porque eles simplesmente não jogam War. Até mais!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O Mapa de Piri Reis

Hoje em dia temos o Google Earth, mas antigamente, construir um mapa do planeta Terra, ou mesmo de uma região dele, era tarefa para os cartógrafos: homens normalmente ligados à navegação e que dispunham de recursos escassos e muitas vezes meras descrições vagas sobre a terra que visavam representar. Os mapas, principalmente na época das Grandes Navegações (séculos XV e XVI), adquiriram importância fundamental, e grandes avanços foram feitos na maneira como os homens enxergavam o planeta Terra.
Até aí, tudo bem. Os mapas tinham sua importância conhecida, e os cartógrafos possuíam as informações necessárias para fazerem o melhor possível e traçar da melhor forma possível, os litorais descritos pelos relatórios dos navegadores. Seria tudo muito simples, se não fosse a descoberta do Mapa de Piri Reis, em 1929, no Museu Topkapi, em Istambul. Este mapa é uma representação da costa do Atlântico Sul, datado de 1513. O próprio Piri Reis deixou registrado as fontes que ele teria usado para desenhar o tal mapa, o que leva ao grande mistério por trás dele: O mapa trás desenhada a costa da Antártida. Daí você pensa: tudo bem, talvez ele usou o mapa de alguém que já teria navegado até lá, e desenhou no seu mapa. O caso é que, no mapa de Piri Reis, a Antártida aparece como seria vista sem a cobertura de gelo. Só conseguimos saber atualmente, a forma do Continente Antártico sem essa cobertura através de análises sísmicas. A cobertura de gelo teve início aproximado em 4000 a.C., ou seja, as referências de Piri Reis para desenhar a Antártida data de uma civilização desta época. A questão é, que civilização teria vivido em 4000 a.C. que teria praticado a cartografia, ou mais específicamente, a cartografia de um continente aparentemente afastado geograficamente de qualquer outra civilização conhecida até então? Alguns céticos consideram que o mapa não trata do Continente Antártico, e sim uma extensão da América do Sul, onde estaria representada até a Terra do Fogo e as Ilhas Malvinas, mas tudo muito abertamente. Até hoje, o Mapa de Piri Reis carrega seus mistérios, e trata-se de um assunto fascinante da Cartografia. Melhor que o Google Earth.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A Pulseira

Tudo bem, essa semana me fizeram uma pergunta enquanto eu estava comendo que quase me fez ter um ataque. Me perguntaram como funciona aquela pulseirinha do equilíbrio, daquelas que passavam na Ana Maria Braga, e afins. Bem, o caso é que não posso explicar como funciona algo que não funciona.
Colocando um pouco de contexto na história, as pulseiras do equilíbrio eram muito populares até a alguns anos atrás, quando um bando de esportistas e estrelas de cinema andavam por aí exibindo-as. De acordo com a empresa responsável pelo produto, as pulseiras melhoravam o equilíbrio, o vigor e a flexibilidade do usuário. Isso tudo através de um efeito quântico da produção de íons pela pulseira. O caso é: a tal pulseira libera tantos íons quanto um relógio digital. De fato, o efeito da pulseira é muito mais psicológico do que qualquer outra coisa. Mas isso não sou eu quem está dizendo.
Há alguns anos, a ACCC (Australian Competition and Cosumer Commission) venceu a guerra contra as pulseiras, que enfrentavam uma série de denúncias, após uma série de testes em laboratório que, imaginem só, comprovaram que as tais pulseiras não poderiam absolutamente ter o efeito que lhe era atribuído.
Portanto, senhoras e senhores, me sinto um Mythbuster dizendo que, quando se trata da pulseirinha do equilíbrio, é mito.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Impressões Digitais e Calças Jeans

Há muito tempo não posto nada aqui, e embora não pareça, tem muita gente que cobra. Pois bem, hoje vou falar de um assunto nem tão relacionado com a Física, mas que intriga muita gente e que vale à pena comentar.
Atualmente, quando se fala em impressão digital, sempre se imagina aquela em que você pega suas fotos da sua câmera digital e resolve "revelá-las". Não é disso que eu vou falar. Vou falar dessas marcas que todo mundo tem nos dedos.
Muita gente não sabe, mas a impressão digital é feita na gestação. Durante séculos, a impressão digital é utilizada para identificar as pessoas, uma vez que essa marca é única e individual. Existem no entanto, cerca de 3 mil pessoas no mundo que não as têm. Essas pessoas sofrem da Síndrome de Nagali. Isso não impede, obviamente, de algumas pessoas simplesmente perderem a impressão digital ao longo da vida, seja por problemas associados ao clima ou porque se machucaram, ou até por que simplesmente não têm o dedo mesmo.
Provavelmente você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com calças jeans. Pois bem, assim como as impressões digitais, não existem duas calças jeans iguais no mundo. Se você reparar, não existe. Sempre se dá um jeito de colocar um detalhe a mais, um bolso diferente, alguma coisa que a diferencia das outras.
Então, saiba que a sua calça jeans também é um jeito de te diferenciar das outras pessoas, a única diferença é que outras pessoas também podem usá-la, e nesse caso não é um perigo.
Até mais.

terça-feira, 27 de julho de 2010

A Física da Privada

Uma homenagem a um grande amigo, que levantou essa humilde questão no final de uma pizza: "Como funciona a privada do banheiro?"
A primeira coisa que temos que saber, é que dentro da privada, longe do alcance de nossos olhinhos inocentes, existe um sifão. O sifão é basicamente um tubo entortado que impede que o vaso fique vazio, ou que transborde. Esse sifão funciona baseado no princípio dos vasos comunicantes. Tal princípio afirma que, se dois recipientes estão cheios de um líquido, e conectados por ele, então o nível do líquido nos dois recipientes é sempre igual. É o que acontece, por exemplo, num nível usado em construções. Uma demonstração simples desse princípio é: dois recipientes, ligados pelo fundo por um tubo. se você enche um, a água passa pelo tubo e vai para o outro, até que o nível da água dos dois fique igual.
Enfim, voltando ao assunto, o sifão usa esse princípio para manter o nível da água da privada naquele que a gente conhece.
A segunda coisa é: quando você puxa a cordinha (ou aperta o botaozão em alguns casos), você libera cerca de 7 litros d'água cano abaixo, e essa água toda vai para um cano circular que fica ao redor da "boca" da privada (isso mesmo, você senta em cima dele!). Esse cano é todo furado, e faz com que a água que desce seja igualmente distribuida em toda a circunferência do nosso aparelho. O que temos agora são 7 litros de água, mais merda (acharam por um minuto que eu não ía usar essa palavra?), procurando um lugar pra escoar. A única opção da nossa mistura divertida é pelo caminho do sifão, lá embaixo. Água + merda passa por ele, e logo depois ele reestabiliza o nível da água, utilizando o já explicado anteriormente princípio dos vasos comunicantes. Quando você solta a cordinha (ou o botaozão), a água para de descer pelo cano furadinho, e o processo da descarga se dá por encerrado. Parabéns!

Para aqueles fãs da ciência simples das coisas complexas, vai o link de um episódio de "O Mundo de Beakman" onde ele explica exatamente tudo o que eu falei.
Divirtam-se, crianças!
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/videos/como-funciona-a-descarga-de-uma-privada.php

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Método Científico e as Gorduras

Existe uma variedade de maneiras pelas quais um cientista pode fazer uma descoberta. Vou apresentar aqui uma delas, que já foi muito usada, há um bom tempo atrás.
Vamos supor que você queira saber de onde vem o calor. Você pega um bloco de papel e começa a anotar tudo onde existe calor envolvido. Depois você começa a anotar tudo aquilo onde não tem calor envolvido. Depois, veja só, compara as duas listas. Se suas listas forem completas o suficiente, é bem capaz de conseguir elaborar uma boa teoria para o calor.
Esse método foi proposto por um filósofo muito divertido chamado Francis Bacon, que viveu nos séculos XVI e XVII, e do jeito que ele fazia, só tinha um problema: raramente funciona (risos). Isso porque ele não dá tanto valor à hipótese: se as tabelas estão completas, ele considera de antemão que se atinge a hipótese correta. Mas, problemas à parte, a criação desse método levou ao início da Ciência moderna, e isso não podemos jogar fora.
O bacon do porco, ao contrário do que muita gente pensa, não tem nada a ver com o cara. O bacon vem do popular, e significa (imaginem só!) toicinho defumado (pasmem!). Enfim, se você algum dia for comer um x-bacon, ou botar bacon naquela sua feijoada, esqueça o filósofo. Provavelmente ele só pode te ajudar a encontrar onde tem gordura e onde não tem. Bom apetite!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Volátil e Volúvel: Diferentes!

Antes de eliminar mais uma ambigüidade que nos permitimos de vez em quando, é preciso que as pessoas saibam o que é um estado físico. Estados físicos são (basicamente) três: sólido, líquido e gasoso. Acho que a partir daí já não é preciso explicar mais nada. Isso mesmo. Para a água, o estado sólido é o gelo, o líquido é a água mesmo, e o gasoso é o vapor que sai da panela enquanto a gente faz café.
Agora, imagine o álcool. Todo mundo sabe da facilidade que ele tem de passar do estado líquido para o estado gasoso. É só deixar o vidro destampado alguns minutos e já era. Ele todo evapora. Por isso, dizemos que o álcool é uma substância "volátil". Ele passa do estado líquido para o estado gasoso com muita facilidade.
Da mesma maneira, mas completamente diferente, imagine um roqueiro que se vê, de repente, num baile funk. Ele sempre considerou aquele tipo de música simplesmente nojenta, mas um amigo que ele acabou de fazer acabou de colocá-lo em tal situação contra a sua vontade, obviamente. Agora imagine que ele seja abordado por dois brutamontes que lhe perguntam: "E aí, cara, que ta achando da lugar?". Se ele quizer permanecer vivo, terá que ser uma pessoa volúvel, ou seja, terá que mudar de opinião.
A diferença se resume a isso:
Volátil diz respeito à facilidade que um composto tem de mudar do estado líquido para o estado gasoso. Volúvel diz respeito à facilidade que uma pessoa tem de mudar de opinião.
E tenho dito.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Paradoxos e Paradimas: Diferentes!

Entre pseudo-intelectuais (por favor, não seja um deles) existe sempre a confusão das definições das palavras "Paradoxo" e "Paradigma", que apesar de sua semelhança na grafia, têm sentidos radicalmente diferentes.
Um paradoxo é uma afirmação aparentemente verdadeira, que leva a uma contradição lógica. Por exemplo, "Pode Deus criar uma pedra que não consiga levantar?". Pois se Deus não consegue criar tal pedra, então ele falha. Se ele consegue criar, então não consegue levantá-la. Logo ele falha. Ou o famoso paradoxo do mentiroso: "Essa sentença é falsa." Pensem sobre ele.
Paradigma, por outro lado, é um modelo, ou um padrão a ser seguido. Uma referência inercial como base de modelo para estudos e pesquisas. É basicamente a receita de bolo que os cientistas seguem para que suas teorias sejam aceitas em seu campo de pesquisa. Tipo, ninguém publica artigos científicos baseados numa teoria que já foi derrubada há mil anos! O paradigma é justamente o pano de fundo onde as pesquisas são aceitas.
De qualquer maneira, o nosso objetivo é justamente demonstrar que, apesar de serem usadas muitas vezes sem nenhum julgamento prévio, essas palavras são absolutamente difententes, e não merecem serem confundidas.
Que as nossas discussões sejam mais sadias, e menos pseudo-intelectuais.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Déjà vu: Reconstruções

Déjà-vu ("já visto", em francês), é aquela estranha sensação de que se está vivendo uma situação já sentida anteriormente, ainda que contra essa evidência, seja a uma situação inédita.
Diversas pesquisas vêm sendo feitas nessa área, no mundo todo, para tentar explicar a verdadeira origem do déjà vu. A princípio, acreditava-se que ele tinha uma estreita relação com experiências que, de fato, pertenciam ao passado, porém a pessoa não se recordava por uma fragmentação na memória. Assim, o cérebro interpretaria a situação como nova, embora familiar. Essa experiência anterior pode ter ocorrido mesmo na infância, e era erradamente interpretada como sendo de uma vida passada. Mas o fato de ser uma experiência passada já se provou errado, de qualquer forma.
Atualmente, os cientistas parecem crer que existe, na realidade, uma ligação entre o déjà vu e os processos de memória do cérebro. Ele percebe os objetos e as situações, e segue dois passos: primeiro, verifica seu arquivo de memória se tal situação já ocorreu antes, e segundo, caso tiver ocorrido, interpreta tal como familiar. Esse processo desencadeia uma série de reações químicas, que nos dá a "sensação" típica do déjà vu.
Anteriormente, já se supunha de que o déjà vu se originava numa parte do cérebro chamada lóbulo temporal. Cientistas franceses descobriram que estímulos elétricos em certas partes do lóbulo temporal podem fazer com que uma pessoa encontre familiaridade em tudo o que vê pela frente, inclusive em experiências inéditas a ela.

Achou interessante?
Aqui um site recomendado sobre déjá vu:
http://port.pravda.ru/science/15-01-2007/14943-dejavu-0

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Conclusões acerca do princípio antrópico

O princípio antrópico é, para a maioria das pessoas, uma coisa engraçada. Na verdade, ele é usado para terminar discussões e raciocínios físicos que normalmente levariam meses. Seu raciocínio é simples: Diante do questionamento: "Por quê os átomos são como são?" ou "Por quê a gravidade atrai as coisas e não afasta?", o princípio antrópico afirma que "Os átomos são como são, e a gravidade é como é, porque se fosse diferente, você não estaria aqui fazendo esse monte de perguntas.". É simples, porque funciona.
A partir daí, dá para tirar um série de outras conclusões.
Primeira, nós experimentamos apenas a realidade que suportamos como seres vivos. Isso é razoável. Segundo, o próprio questionamento sobre estarmos ou não sozinhos no universo nos leva a imaginar, inconcientemente, que em algum outro lugar as "condições antrópicas" são satisfeitas, ou seja, algum outro ser está, em algum outro lugar, pensando que, se em algum planeta existe vida além do dele, é porque lá estão pensando nele. Egoísta, não?
Enfim, o princípio antrópico, históricamente, foi criado na verdade representando o contrário: ele servia como justificativa de um "designer inteligente", que teria dado ao Universo exatamente a forma que tem hoje, afim de proporcionar o desenvolvimento da vida (Isso mesmo: um "designer inteligente" que te deu seu apêndice e seus dentes do siso). Isso era feito partindo da hipótese de que a vida é muito sensível às condições ambientais e, do ponto de vista mais científico, às constantes da física como a de Newton (gravitação), a de Coulomb (interação entre cargas elétricas), a de Planck (todos os sistemas quânticos), a de Boltzmann (radiação térmica - relação entre temperatura e radiação emitida por um corpo), entre outras milhões que conhecemos. As chances de uma combinação de valores dessas constantes (que aliás, não são números muito bonitos, diga-se de passagem) serem exatamente o que são é muito pequena, e a vida não seria obra do acaso irracional, e sim de uma criação proposital e predeterminada. Você tem dor nas costas porquê Deus quis.
O problema é que esse mesmo princípio pode, sim, justificar a ausência de uma criação predeterminada, uma vez que ela já aconteceu.
Seria absurdo negar probabilisticamente uma coisa no passado. Um exemplo clássico é dado por John Allen Paulos no livro Innumeracy: Mathematical Illiteracy and its Consequences:

"... a raridade, por si só, não é necessariamente evidência de nada. Quando alguém recebe uma mão de bridge de 30 cartas, a probabilidade de que tenha recebido aquela mão específica é de menos que uma em 600 bilhões. Mesmo assim, seria absurdo que alguém recebesse aquelas cartas, examinasse com cuidado, calculasse que a probabilidade de recebê-las seria menor que uma em 600 bilhões e então concluísse que não recebeu exatamente aquela mão, já que é tão improvável."

Seria ainda mais absurdo declarar que um milagre deve ter acontecido e que uma força inteligente de dimensões sobrenaturais deve ter atuado por detrás de toda mão de bridge.
O princípio antrópico, em suas multifacetas, explora essa idéia de que nós vivemos apenas na região da história do Universo em que podemos percebê-lo, em que podemos existir e interagir com ele. A partir daí, pode-se imaginar que nos seus primórdios, as condições de vida não existiam, e consequentemente o Universo era apenas um delírio. Nosso Universo não existia, porquê não havia ninguém lá para perguntar: "Por que as coisas são como são?", e ninguém para responder: "Porque se fosse diferente, nós não estaríamos aqui.". Ninguém estava lá.
E eu não ouso pensar no futuro.

Achou interessante?
Aqui alguns sites que recomendo que abordam o mesmo assunto:
http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/5608
http://paginas.terra.com.br/educacao/labertolo/Cosmologia/Cosmology/Anthropic.htm

Para efeito de curiosidade (módulos não-dimensionais):
Constante gravitacional de Newton: G = 6,67e-11
Constante elétrica de Coulomb: k = 8,99e9
Constante de Planck: h = 6,62e-34
Constante de Boltzmann: K = 1,38e-23

Mapa do Labirinto