segunda-feira, 18 de abril de 2011

Indígenas e Salva-vidas.

Índios são foda. Acredito que todo mundo concorde comigo quando eu digo que uma civilização que sobrevive no meio da Floresta Amazônica, e quase não usa roupa, deve ser foda. Mas essa não é, na minha opinião, a grande virtude dos indígenas: acredito que seja a capacidade de pescar com lança. Os índios sabem, por exemplo, que você não deve mirar exatamente onde está vendo o peixe, e sim um pouco acima, pra acertá-lo.
Isso se deve a um fenômeno da óptica chamado "Refração". A luz, quando passa para um meio onde sua velocidade é diferente, muda a direção de sua trajetória de acordo com uma lei chamada "Lei de Snell". Daí o espertinho vai falar: "Peraí, quer dizer que a velocidade da luz não é fodásticamente grande e C-O-N-S-T-A-N-T-E?". O que acontece é que, no caminho que a luz percorre em determinado meio, ela encontre obstáculos (átomos), e é então absorvida e reemitida por esses átomos. É como um Físico tentando andar por uma calçada cheia de gente (Ver A arte de caminhar pelas calçadas ). Mas esse não é o caso. O caso é que os índios corrigem esse efeito da mudança de direção, quando pescam.

Mas por quê essa mudança na direção ocorre? Bem, é aí que entra o salva-vidas. A luz tende sempre a seguir o caminho que leva o menor tempo possível entre dois pontos, mas nem sempre esse caminho é uma linha reta. Imagine que uma pessoa esteja se afogando no mar, e o salva-vidas tem que chegar até ela no menor tempo possível. Você acha que o caminho percorrido é uma linha reta?
A resposta é não. O rapaz caminha muito mais rápido na areia do que na água, e isso é fato. A velocidade dele nos dois meios (areia e água) é diferente, e por isso ele deve tentar ficar um pouco mais de tempo na areia. A trajetória que ele deve percorrer, acreditem se quizer, é exatamente aquela prevista pela Lei de Snell.

Assim, os índios continuam pescando na Amazônia, e os salva-vidas que conhecem as leis da refração continuam sendo mais eficientes dos que os que não sabem.
Até a próxima.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Descendo pelo Ralo

Não aconteceu comigo só uma vez, quando no fim de festa, ou numa mesa de bar (quando, em ambas as situações, todo mundo já tava bêbado...), alguém me fazer a boa e velha pergunta: "É verdade que no hemisfério Sul a água desce pelo ralo em sentido diferente que no hemisfério Norte?". O que se seguia, normalmente, era um Físico embriagado tentando explicar para um bando de leigos embriagados um dos fenômenos mais interessantes da mecânica. Hora de desvendar mais uma parede desse labirinto.
Pra começar, todo mundo sabe que a Terra gira, de oeste para leste (ou da esquerda para a direita), de maneira que o sol nasce na África antes de nascer aqui. Agora, sempre podemos imaginar que, se pensarmos apenas nesse movimento de rotação, existem dois pontos da Terra que nunca se movem: os pólos Norte e Sul. Tendo deixado isso bem claro, passamos a outro ponto: O período de rotação da Terra é aproximadamente 24 horas. Isso significa que qualquer ponto da Terra deve voltar ao mesmo ponto que estava 24 horas atrás. Porém, a Terra é, ao contrário do que meu avô diz, redonda. Isso faz com que um corpo que está no equador tenha que percorrer um caminho muito maior em 24 horas do que um corpo que esteja, por exemplo, em um dos trópicos. Mas não importa o caminho, ele DEVE SER PERCORRIDO EM 24 HORAS; e vale à pena agora lembrá-los de que velocidade é o caminho percorrido, dividido pela tempo gasto: isso nos leva a concluir que o corpo situado no equador deve girar muito mais rápido do que o corpo no trópico, ou, de maneira extrema, um corpo situado nos pólos tem velocidade zero. Essa aberração mecânica em referenciais em movimento circular, tais como muitos outros, é conhecida como efeito de Coriolis (leia-se coriolí). Por causa dessa diferença de velocidade, para nós que estamos no hemisfério sul, tudo o que está ao norte gira mais rápido da esquerda pra direita, fazendo com que redemoínhos e grandes furacões girem no sentido horário no nosso hemisfério. Em fotos de satélite, pode-se perceber esse efeito nas grandes massas de nuvens.
Agora, quando alguém me pergunta sobre a água na sua pia, ou no vaso sanitário, pode desistir de observar qualquer efeito de Coriolis. A força tratada nesses fenômenos é muito pequena em comparação com as outras forças que agem numa pia, ou numa descarga.
Se você se interessou sobre as "forças de Coriolis" e o "efeito Coriolis", proponho um exercício mental. Imagine-se em um carrossel, com uma bola na mão, e um amigo na outra ponta. Agora, tente atirar essa bola pra ele, em linha reta: que movimento você verá a bola fazer, tendo atirado-a pra frente?
Me despeço deixando esse problema pra vocês resolverem, na prática quem sabe.
Até mais.

No Hemisfério Sul, sobre a Austrália:

No Hemisfério Norte, sobre os EUA:

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Impressões Digitais e Calças Jeans

Há muito tempo não posto nada aqui, e embora não pareça, tem muita gente que cobra. Pois bem, hoje vou falar de um assunto nem tão relacionado com a Física, mas que intriga muita gente e que vale à pena comentar.
Atualmente, quando se fala em impressão digital, sempre se imagina aquela em que você pega suas fotos da sua câmera digital e resolve "revelá-las". Não é disso que eu vou falar. Vou falar dessas marcas que todo mundo tem nos dedos.
Muita gente não sabe, mas a impressão digital é feita na gestação. Durante séculos, a impressão digital é utilizada para identificar as pessoas, uma vez que essa marca é única e individual. Existem no entanto, cerca de 3 mil pessoas no mundo que não as têm. Essas pessoas sofrem da Síndrome de Nagali. Isso não impede, obviamente, de algumas pessoas simplesmente perderem a impressão digital ao longo da vida, seja por problemas associados ao clima ou porque se machucaram, ou até por que simplesmente não têm o dedo mesmo.
Provavelmente você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com calças jeans. Pois bem, assim como as impressões digitais, não existem duas calças jeans iguais no mundo. Se você reparar, não existe. Sempre se dá um jeito de colocar um detalhe a mais, um bolso diferente, alguma coisa que a diferencia das outras.
Então, saiba que a sua calça jeans também é um jeito de te diferenciar das outras pessoas, a única diferença é que outras pessoas também podem usá-la, e nesse caso não é um perigo.
Até mais.

Mapa do Labirinto